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Ultraprocessados líquidos: o que está por trás das bebidas açucaradas

  • Isabelle de Morais Jasmim
  • 25 de abr.
  • 4 min de leitura

Atualmente, há um grande consumo de bebidas açucaradas como sucos industrializados, refrigerantes, chás prontos, bebidas lácteas adoçadas, energéticos, entre outros. Esses produtos são consumidos diariamente por grande parcela da população mundial, e representam uma preocupação para a saúde pública, já que na maior parte deles, há quantidades exacerbadas de açúcares, como exemplo temos os refrigerantes com uma média de 17,6g de açúcar por 200mL, correspondendo a quase 70% da ingestão diária máxima recomendada pela Organização Mundial da Saúde.


Alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas a partir de substâncias extraídas de alimentos ou sintetizadas, com adição de altas concentrações de sal, açúcar e gordura, e diversos aditivos, resultando em um perfil nutricional desbalanceado. Esses produtos são criados para terem o sabor acentuado o que favorece uma ingestão maior de calorias, uma vez que promovem menor saciedade e estimulam o consumo exagerado.


Os ultraprocessados líquidos embora forneçam energia, não apresentam qualidade nutricional significativa, ou seja, adicionam calorias, muitas vezes exageradas à ingestão diária, sem ativamente contribuir para a manutenção de uma dieta equilibrada e que supra as necessidades do corpo.


Devido aos fatores citados anteriormente, as bebidas açucaradas estão fortemente associadas ao ganho de peso, doenças crônicas e piora da qualidade da alimentação, além de serem facilmente incorporadas na alimentação diária, acompanhando refeições ou para “matar a sede”.

 

Corante caramelo IV


O corante caramelo IV, é um dos corantes artificiais mais utilizados no mundo, sobretudo na produção de bebidas açucaradas, como os refrigerantes de cola, refrigerantes com sabor de guaraná, energéticos e chás prontos.


Esse corante é obtido a partir do aquecimento de açúcares junto de compostos químicos como ácidos e amônia, gerando, além da cor desejada, subprodutos prejudiciais à saúde, possuindo potencial cancerígeno.

 

Refrigerantes


Os refrigerantes correspondem a uma das principais e mais consumidas categorias de ultraprocessados líquidos. No Brasil, 28% da população consome refrigerante pelo menos 5 vezes por semana, de acordo com o Ministério da Saúde.  Essas bebidas possuem em sua composição, altas quantidades de açúcar, sódio, água gaseificada, acidulantes, conservantes, corantes e aromatizantes, ingredientes utilizados com o objetivo de tornar esses alimentos mais atraentes sensorialmente e também aumentar a sua durabilidade.


Devido ao fato de serem opções práticas, com acesso facilitado, ricos em açúcares e altamente agradáveis ao paladar, são facilmente incorporados à rotina, sendo consumidos de forma diária por muitas pessoas.


A ingestão frequente de alimentos ricos em açúcares pode aumentar o risco de desenvolvimento de condições como: diabete mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares, além de contribuírem para o ganho de peso e obesidade.


É válido ressaltar que por mais que refrigerantes “zero” não possuam açúcar, há a presença de sódio e outros aditivos, além da adição de adoçantes artificiais em grandes quantidades,  incluindo possíveis efeitos sobre a sensibilidade à insulina e o metabolismo glicêmico.

 

Sucos


Na maior parte das vezes são generalizados, sendo chamados de “suco”, no entanto possuem diferentes classificações de acordo com a proporção de seus ingredientes. São elas:


  • Suco: bebida não diluída obtida da fruta madura e adequada para consumo ou parte vegetal de origem sem a adição aromatizantes e corantes artificiais;

  • Suco integral: suco sem adição de açúcares e em sua concentração natural;

  • Néctar: bebida obtida a partir da diluição em água potável da parte comestível do vegetal ou de seu extrato, com adição de açúcares, contendo de 10% a 50% de polpa de fruta ou vegetal;

  • Refresco: produto que possui suco, polpa, ou extrato vegetal de sua origem, adicionado de água potável, com ou sem adição de açúcares, tendo a quantidade mínima variável.


Muitas vezes considerados uma opção mais “saudável”, esses produtos, em sua maioria, apresentam elevadas quantidades de açúcar e aditivos, o que reforça a necessidade de leitura atenta dos rótulos e da lista de ingredientes. Nesse contexto, inclui-se o chamado “guaraná natural”, que, apesar do termo “natural” presente em seu nome, geralmente contém altas quantidades de açúcar, corantes e aditivos, podendo induzir o consumidor a uma falsa percepção de escolha saudável.


Bebidas lácteas adoçadas


As bebidas lácteas consistem em produtos à base de leite com ou sem adição de ingredientes não lácteos. A maior parte das bebidas lácteas presentes no mercado são adoçadas e possuem grande variedade de opções, incluindo diversas que possuem embalagem e sabores destinados ao público infantil. Frequentemente possuem estampadas no rótulo alegações como “fonte de cálcio”, “rico em vitaminas”, “fonte de zinco”, dentre outras, que podem dar a impressão de um alimento mais saudável. No entanto, camuflam altas quantidades de açúcar e aditivos alimentares que passam despercebidos. Por isso, é importante observar não apenas os destaques da embalagem, mas também a lista de ingredientes.


Dentro desse grupo também estão inclusas as bebidas lácteas proteicas, que estão em alta no momento. Apesar de enfatizarem o teor de proteína de forma chamativa na embalagem, esses produtos podem conter açúcares adicionados e outros ingredientes que nem sempre recebem o mesmo destaque no rótulo.


Agora que você já conhece um pouco mais sobre as variedades de bebidas açucaradas e suas propriedades, na próxima ida ao mercado dê mais atenção aos rótulos e ingredientes presentes, pois em grande parte das vezes, os fabricantes tentam “esconder” as grandes quantidades de açúcar e aditivos.


E aí, gostou de conhecer mais sobre as bebidas açucaradas? Você sabia de todas essas variedades? Compartilhe esse conhecimento com um amigo e até a próxima!


Referências ‌


Associação Brasileira de Nutrição. Em pesquisa, 28% dos brasileiros consomem refrigerante regularmente. São Paulo, 18 abr. 2011. Disponível em: https://www.asbran.org.br/noticias/659/em-pesquisa-28-dos-brasileiros-consomem-refrigerante-regularmente


BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Secretaria de Defesa Agropecuária. Portaria SDA/MAPA nº 1.174, de 3 de setembro de 2024. Aprova o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade de bebida láctea. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 5 set. 2024. Disponível em: https://www.cidasc.sc.gov.br/inspecao/files/2024/09/Portaria-SDA_MAPA-no-1.174-de-03-de-setembro-de-2024.pdf.


BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Informe técnico nº 48, de 10 de abril de 2012. Brasília, 2012.


SOUZA E SILVA, Nayra Suze et al. Relação entre ganho de peso e consumo de refrigerantes em adolescentes brasileiros do ensino médio. Archivos Latinoamericanos de Nutrición, Caracas, v. 70, n. 4, p. 255–262, 2020. Disponível em: https://ve.scielo.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-06222020000400255


TEIXEIRA, Antônio Zenon Antunes. Bebidas açucaradas, sódio e aditivos alimentares: uma resenha crítica sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde pública brasileira. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 9, p. 3926–3937, 2025. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/21224


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ). Laboratório de Avaliação Nutricional. Bebidas açucaradas: definição, características e riscos para a saúde. Rio de Janeiro, 2024. Disponível em: https://lanutri.injc.ufrj.br/2024/01/17/bebidas-acucaradas/.

 
 
 

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